Poucas plantas reúnem um leque de benefícios tão amplo e, ao mesmo tempo, contam com estudos clínicos que sustentam a sua utilização. Schisandra chinensis, a tradicional “baga dos cinco sabores” do norte da Ásia, é uma delas. Dois trabalhos recentes permitem traçar um panorama coerente do seu potencial: um ensaio clínico coreano sobre sintomas vasomotores da menopausa e uma revisão exaustiva publicada na revista Nutrients, que reúne a evidência pré-clínica e os primeiros ensaios em humanos.

Afrontamentos sob controlo: o estudo coreano
O ensaio foi randomizado e duplamente cego, e incluiu 36 mulheres entre os 40 e os 70 anos com afrontamentos, suores noturnos e palpitações de intensidade moderada a elevada. Durante seis semanas, as participantes tomaram uma cápsula diária de extrato padronizado de Schisandra ou um placebo idêntico, com mais seis semanas de acompanhamento. No final, a pontuação no Índice de Kupperman — que resume afrontamentos, sudorese, insónia e palpitações — diminuiu de forma significativa apenas no grupo tratado. O alívio foi especialmente evidente na frequência das ondas de calor e na perceção das palpitações, sem que se registassem efeitos adversos. Embora seja um estudo pequeno, o desenho controlado oferece um nível de evidência pouco comum em fitoterapia e sugere que a planta pode ser uma alternativa segura para mitigar os sintomas vasomotores quando se procura uma abordagem não hormonal.
Visão panorâmica: o que revela a revisão na Nutrients
A revisão publicada na Nutrients amplia a perspetiva e confirma que estes resultados não são casuais. Após analisar dezenas de estudos celulares, em animais e vários ensaios preliminares em humanos, os autores descrevem uma lista de efeitos que vão do metabolismo ao sistema neurológico. Os responsáveis são, sobretudo, os lignanos schisandrinas: potentes antioxidantes e moduladores do eixo hipotálamo–hipófise–adrenal, razão pela qual Schisandra é classificada como um verdadeiro adaptógeno. Em modelos de diabetes, melhora a função pancreática e a sensibilidade à insulina; na obesidade, limita a formação de tecido adiposo; e em estudos de envelhecimento protege a pele da radiação solar, preserva a massa muscular e apoia a função mitocondrial, prolongando a resistência física e a agudeza cognitiva. Também lhe são atribuídos efeitos antimicrobianos e uma capacidade anticancerígena inicial em linhas celulares, tudo isto sem sinais relevantes de toxicidade nas doses estudadas.
Um tesouro vermelho do Extremo Oriente
No conjunto, a evidência apresenta a Schisandra chinensis como uma aliada versátil: atenua os afrontamentos e as palpitações que dificultam o descanso na menopausa, reforça o metabolismo da glicose e dos lípidos, combate o stress oxidativo que acelera o envelhecimento celular e melhora a resiliência física e mental. O denominador comum é a sua capacidade de modular a resposta ao stress, seja ele hormonal, metabólico ou ambiental, e restaurar o equilíbrio interno.
Para as mulheres que atravessam a transição menopáusica ou procuram um suporte integral contra o desgaste metabólico e oxidativo, a Schisandra chinensis já tem razões sólidas para conquistar um lugar na rotina de bem-estar. Como sempre, é aconselhável escolher produtos padronizados e consultar um profissional de saúde, especialmente se estiverem a ser utilizados medicamentos ou se estiver a ser considerada terapia hormonal. Mas tudo indica que esta antiga baga oriental tem muito para oferecer à saúde feminina moderna.
Referências: