As ondas de calor, a secura da pele e o abrandamento do metabolismo são lembretes diários de que a diminuição dos estrogénios deixa marca após a menopausa. Perante a terapia hormonal — eficaz, mas nem sempre indicada — muitas mulheres procuram recursos alimentares capazes de suavizar essa transição. O inhame, rico em saponinas esteroides como a diosgenina, é frequentemente mencionado como uma alternativa “estrogénica”. Mas o que há de verdade nisso?
Para obter uma primeira resposta, um grupo de investigadores taiwaneses recrutou 22 mulheres pós-menopausa saudáveis e propôs-lhes uma experiência simples: durante 30 dias substituir 390 g diários de arroz pela mesma quantidade de inhame cozido. A escolha não foi casual; em várias regiões da Ásia, o inhame faz parte da dieta tradicional e é consumido em quantidades consideráveis. Antes e depois do mês de intervenção, os cientistas mediram hormonas sexuais, parâmetros lipídicos e marcadores antioxidantes.

O que aconteceu após um mês de inhame
Os resultados chamaram a atenção. Os níveis de estrona (E1) aumentaram 26% e a globulina de ligação às hormonas sexuais (SHBG) 9,5%, enquanto a estradiol (E2) e a FSH — marcadores mais sensíveis à ovulação — praticamente não se alteraram. Do ponto de vista metabólico, a mudança alimentar reduziu significativamente o colesterol LDL e melhorou a capacidade antioxidante plasmática. As participantes não relataram efeitos adversos e mantiveram as suas rotinas habituais de atividade e ingestão calórica, o que sugere que o inhame, por si só, impulsionou essas mudanças.
Uma possível explicação bioquímica
Os investigadores acreditam que acontecem duas coisas simples:
- A “magia” das nossas bactérias intestinais.
O inhame contém uma substância chamada diosgenina. Quando chega ao intestino, parte dela é transformada — graças à nossa microbiota — em pequenas moléculas semelhantes aos estrogénios. É como se o tubérculo fornecesse peças soltas e as bactérias montassem um “mini-estrogénio” suave que o corpo pode utilizar sem alterar outras hormonas. - Um controlo de volume sobre as hormonas.
Além disso, alguns compostos do inhame (polifenóis) parecem “indicar” ao fígado e a certas enzimas que produzam mais proteínas transportadoras (a SHBG) e ajustem a forma como produzimos estrogénios. O resultado? Aumenta a estrona, que é um tipo de estrogénio mais suave, e diminui a presença livre de hormonas masculinas (andrógenos).
Próximos passos.
Ainda assim, é importante sublinhar as limitações do estudo: o tamanho da amostra é reduzido e a duração é curta. Mesmo assim, o desenho dietético oferece uma pista valiosa: incorporar inhame de forma regular pode proporcionar um estímulo estrogénico leve e seguro, acompanhado de benefícios cardiometabólicos e antioxidantes.
Referências